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A Voz do Silêncio

A Voz do Silêncio

A Voz do Silêncio

A conversa do outro, buzinas, o eterno ruído da cidade… Estímulos não faltam para a nossa mente se manter alerta. Em meio a esse turbilhão, saber calar e ouvir o seu interior ajuda a arejar as ideias e encontrar o próprio eixo.

O ano era 1952. John Cage, um compositor norte-americano, sobe ao palco, senta-se ao piano e liga um cronômetro. Durante intermináveis 4 minutos e 33 segundos, ele não executa uma nota, e apenas o ruído da sala e do público — sons usualmente imperceptíveis durante a execução de uma música — podem ser ouvidos na gravação. O resultado é a sua obra mais famosa, intitulada 4’33”, que foi executada por tantas outras vezes.

Cage quis fazer entender que a música é muito mais do que ruído e que o silêncio é fundamental para a criação. Se pensarmos na nossa mente, a função é a mesma: é no silêncio que o cérebro encontra caminhos para organizar as nossas ideias. O som do silêncio pode ser poderoso e libertador.

Pesquisadores da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) utilizaram a ressonância magnética para comprovar os efeitos benéficos do silenciar. A observação de pacientes em silêncio, focados na concentração e sem pensar nada, demonstrou um aumento do córtex cerebral, o que melhora, principalmente, as funções do hipocampo, que está diretamente envolvido com a aprendizagem, a memória e a emoção. Há ainda uma diminuição dos neurônios na região da amígdala cerebral, que está ligada à ansiedade e ao estresse.

Exame de ressonância magnética mostram que o ato de silenciar ativa as funções do hipocampo, responsável pela aprendizagem, memória e emoção.


Dicas sobre o Silêncio:

  • O MUNDO NÃO CALA

Os estímulos sonoros não cessam e são ainda mais irritantes para quem mora nos grandes centros.

Nós vivemos em uma época de muito ruído, agitação, barulho, poluição sonora. Assim, o silêncio passou a ser algo ameaçador. Mas não deveria, a quietude é uma necessidade do nosso organismo para manter a saúde psíquica. Nosso bem-estar depende, principalmente, de nosso estado mental. De nada adianta ter um corpo em perfeito funcionamento, todo sarado, se a mente está em agonia, aflição, estresse, medo. Em termos de saúde mental, o silêncio, o momento de pausa, é a porta para a cura interna.

Absorver muitos sons é como comer muito: pode estressar o corpo e causar uma série de desconfortos. Dessa forma, o silêncio, ou mesmo a redução à exposição de ruídos, é essencial.

Esse silêncio gera uma cascata de efeitos positivos no organismo, melhora a circulação, a capacidade de concentração, o sistema imunológico e por aí vai. Além de todas as alterações orgânicas, o silêncio também tem um efeito sobre a saúde mental do indivíduo

Não por acaso, o excesso de barulho é prejudicial para a saúde. Segundo a Sociedade Brasileira de Otologia (SBO), a intensidade de som considerada segura para o ouvido humano é de até 85 decibéis (dB) — valor facilmente alcançado em uma avenida movimentada. Uma exposição maior do que oito horas é capaz de trazer sérios danos à saúde. Mais um motivo para buscar a ausência de som.

A exposição a esse excesso de estímulos sonoros, principalmente de forma prolongada, pode causar danos à audição e alguns prejuízos, como alteração no ciclo sono-vigília, taquicardia, dores de cabeça, dificuldade de atenção e concentração, estresse, irritabilidade. Há um limite de informação que nós podemos absorver. Dentro de um hospital, por exemplo, esse estímulo pode ser muito prejudicial, já que se soma ao estresse do paciente por estar passando por um processo de internação, explica a psiquiatra Bruna Lorzolli.

 

  • PARA CURAR

O silêncio é um poderoso aliado nos processos de cura. Bruna reforça a importância desse estado em uma unidade hospitalar. “É importante promover um ambiente mais calmo e confortável, pois isso resultará na melhor e mais rápida recuperação do paciente e na concentração indispensável ao profissional da saúde”, explica a psiquiatra.

Os especialistas concordam que é difícil avaliar que o silêncio, por si só, seja capaz de evitar algum tipo de patologia. Mas consideram evidente que ele seja extremamente importante para um equilíbrio entre corpo e mente.

Dentro de uma UTI, o silêncio tem um efeito importante, principalmente sobre pacientes idosos, evitando que o excesso de ruído cause um transtorno chamado Delirium. Essa é uma disfunção também conhecida como estado confusional agudo com curso flutuante, caracterizada por distúrbios de consciência, atenção, orientação, memória, pensamento, percepção e comportamento, e é causada por múltiplos fatores, como a própria internação, alterações metabólicas, infecciosas e também pelo excesso de sons.

Se os benefícios para o corpo são enormes, para a mente, o silêncio é um remédio sem igual. Esses momentos de silêncio são capazes de trazer mais domínio sobre a mente e habilidade de ficar focado e concentrado.  Isso traz enormes benefícios físicos, mentais, emocionais e, é claro, se reflete no aumento da qualidade de tudo que fazemos.

É um fato simples: quanto mais presente e centrado estiver, melhor será seu desempenho no mundo. A psiquiatra complementa:

Aprender a lidar com o silêncio talvez seja uma forma de aprender a lidar com o que nosso interior está falando.

 

  • POR ONDE COMEÇAR?

Não existe uma receita mágica de como introduzir as pausas no dia a dia. Elas têm que ser de cada indivíduo, de cada sujeito. E vai depender também do que cada um busca com esse movimento de silêncio, de meditação, de pausa.

Algumas pessoas preferem se encontrar com esse silêncio antes de sair de casa; de enfrentar o cotidiano tão acelerado. Outras preferem fazer esse movimento no meio do dia, numa busca de esvaziar o sistema mental do excesso daquele período. O importante é tentar fazer disso uma rotina

O professor de ioga exemplifica a partir do hábito da atividade física: “É como um sedentário que começa a fazer exercícios. Primeiro é preciso querer para depois começar, conscientizando-se da importância disso para seu bem-estar, priorizando sua melhora. Aí buscam-se as técnicas e se coloca elas em prática. Não tem outro jeito”, comenta Giridhari Das.

Quem já experimentou ioga, meditação e mindfulness, sabe que dedicar um momento do dia para essas práticas é essencial ao bem-estar. “É tão importante quanto escovar os dentes para a saúde bucal ou comer para ficar vivo”, completa o professor. “Não se trata de ‘não fazer nada’, mas sim de fazer a coisa mais incrível e recompensadora: cultivar a paz, a higiene mental e a conexão espiritual”, completa. Com o tempo, você perceberá que o seu nível de consciência ficará bem elevado.

 

Um Instrumento, Não a Busca

A coreógrafa Anneliese Kappey, que vive em Berlin(Alemanha), buscou o curso de meditação Vipassana como a saída para ter mais contato com o seu interior. “O silêncio é um caminho para ajudar no objetivo, não o ponto principal. A busca é ver a realidade como ela é de fato, momento a momento”, acredita. Muito mais do que o benefício físico, Anneliese destaca a produtividade como a principal conquista da prática.

Tem menos bagunça, digamos assim, e mais claridade nas ideias. Então, horas e dias são muito mais produtivos. Seria difícil falar em saúde como um fenômeno físico apenas, sendo que mente e matéria só respondem uma à outra em um ciclo de causa e efeito.

A coreógrafa acredita que uma boa lição é entender que ser multitarefas não é uma característica louvável. “Faça uma coisa por vez e dê toda atenção a ela. Mesmo com a agenda mais cheia, o ideal é fazer uma coisa por vez. Sei por experiência.”

 

Coloque em Prática

  • Antes de Dormir, ou ao acordar, experimente ficar deitado por cinco minutos na cama, apenas sentindo a própria respiração.
  • No trânsito, com o carro parado, é um bom momento. Deixe o rádio desligado e sinta a vibração ao redor. Preste atenção ao seu corpo: sinta as batidas do coração, o caminho que o ar percorre desde o nariz até chegar aos pulmões, o calor e o toque na pele.
  • Antes de falar ou dar uma resposta para alguém, a ficar alguns segundos em silêncio. Assim, você certamente escolherá melhor as palavras, e a chance de um mal-entendido diminui.
  • Após o almoço, experimente dar uma volta no quarteirão para ficar consigo mesmo. É no momento de silêncio que, de repente, vem urna ideia e você resolve um grande problema.

Meditar pode ser uma alternativa para quem tem pressão alta. Segundo a American Heart Association, quando nos sentimos relaxados, os vasos sanguíneos se abrem e a pressão arterial cai. “Pouco a pouco, a prática traz a pressão para níveis mais próximos do normal, Já em pessoas normotensas (com pressão normal)”, a meditação parte da premissa básica de equilibrar o organismo, ou seja, não causa queda da pressão.

Com todos esses benefícios que o silêncio pode trazer para a sua vida o que você está esperando para se proporcionar estes momentos de introspecção através da meditação? Então participe desse desafio!

Desafio de 8 Dias de Meditação

Sobre Autor

Gabriel Menezes

Fundador do Spartancast, Consultor e Especialista Internacional em Liderança, Alta Performance e Mindfulness com atuação na área esportiva e empresarial. Terapeuta Holístico (Registro Profissional CRTH-BR: 3128) e Professor de Mindfulness credenciado pela International Meditation Teachers Trainers Association (IMTA) e Membro Executivo do International Institute for Complementary Therapists (IICT) e Membro Profissional da American Mindfulness Research Association (AMRA).