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Jejum Intermitente de 59 Horas, Loucura? Confira o Relato!

Experiencia de Quem Sobreviveu ao Jejum Intermitente

Bom antes de entrar na experiência propriamente dita tenho que falar um pouco sobre como cheguei até ela e porque resolvi optar pelo jejum.

Gosto de ler sobre nutrição e principalmente depois que resolvi emagrecer passei a gostar mais ainda, cheguei a pesar 137Kg, e neste momento que digito este singelo artigo para meu grande amigo Menezes e consequentemente o Spartancast, estou pesando 97Kg e 41 anos de idade, então posso dizer que já tenho em meu currículo um sucesso de 40Kg a menos, tem muita história desde o começo da minha jornada, mas não vem ao caso agora.

À medida que fui aprendendo fui tomando gosto e até hoje continuo aprendendo, paralelo ao aprendizado sempre fui fisicamente ativo, mas quando cheguei no meu peso extremo não consegui mais praticar nenhum tipo de atividade física, muito mal andar. Com o tempo fui eliminando peso através da mudança da minha alimentação, e é claro, voltei a praticar esportes.

Acontece que reduzir o peso abaixo dos 101Kg sempre foi muito difícil para mim, lembro até hoje do que meu pai sempre me falava “Você não vai conseguir pesar abaixo dos 100Kg, seu corpo não vai deixar…”, e realmente este é um “platô” onde o meu corpo sempre brecou como se tivesse um muro de concreto que me separava do meu objetivo.

Sofri com o efeito sanfona muitas vezes sempre batendo neste número, as duas vezes que consegui chegar abaixo dos 100 foi restringindo muito as calorias e fazendo corridas de 1 hora de duração durante alguns dias para eliminar água e ter um déficiti calórico, mas assim que voltava a comer normalmente, e quando digo normalmente era sempre cortando as massas, pães, bolachas, barrinhas e etc., voltava para 105Kg a 112Kg e se descuidasse mais um pouco batia os 118Kg.

A busca por informação confiável

Conforme fui lendo e aprendendo fui quebrando alguns mitos como os do ovo e da gordura, entendendo um pouco mais sobre como a insulina trabalha e mudando assim o que penso em relação ao colesterol e outras doenças.

Com esse conhecimento direcionei um pouco mais minha alimentação para gorduras boas, e nesse aprendizado sobre gorduras sempre apareciam informações sobre os jejuns.

Mas ainda tinha um pouco de preconceito sobre o jejum intermitente, porém por mais que eu fugisse disso, cada vez que eu me aprofundava, mais minhas fontes de consulta abordavam o tema falando dos seus benefícios e vantagens devido as consequentes pesquisas internacionais ficarem cada vez mais constantes fornecendo mais informações práticas e científicas.

1, 2, 3 testando!

Então decidi começar a testar, praticando o protocolo de 12 horas algumas vezes vi que foi super fácil e tranquilo, não era nada demais. Vendo a facilidade parti para o protocolo de 16 horas, não seguindo todos os dias, mas dia sim dia não com resultados em disposição e perda de peso. Fui tocando cerca de um mês assim.

Como achei que estava muito fácil fazer estes jejuns de 16 horas achei que faria tranquilamente o de 24 horas, mas a minha grande dúvida era em relação aos treinos, pois pratico treinos de HIIT, estilo Freeletics / Goliaz, com burpees, flexões, barras, squats e outros, comecei a procurar artigos e pessoas que praticavam jejum e treinam neste período.

Sempre vemos que o pessoal que segue a linha maromba pratica atividade física leve como a caminhada em jejum após acordar para ajudar na queima de gordura, e falam que se correr ou fazer atividade intensa é prejudicial para saúde além de catabolizar a musculatura. Foi quando obtive a informação com fundamentos em pesquisas cientificas mais confiáveis que aprendi que isso na verdade era um mito pois com o jejum o corpo só começa a catabolizar músculo depois de 3 ou 4 dias e mesmo assim não como fonte principal de energia.

A preparação

Achei um vídeo no youtube de um cara que fez o jejum de 9 dias, treinando cardio e musculação todos os dias em jejum, tomei a decisão de testar 24 horas sem comer. Como já percebia que meu corpo estava bem mais adaptado ao consumo de gordura como fonte de energia fui com cara e coragem para ficar um dia inteiro sem comer e mais uma vez foi “de boa” e no dia seguinte já estava decidido que na semana posterior eu iria fazer 2 ou 3 dias de jejum.

Com este vídeo e mais um artigo americano sobre jejum intermitente e gordura teimosa eu vi que podia utilizar o café sem açúcar para dar um boost no metabolismo, o sal rosa do Himalaia para amenizar algum efeito que possa sofrer devido ao jejum prolongado, além da importância de repor os sais minerais perdidos no suor do treino.

Também vi que podia utilizar a cadeia de aminoácidos do BCAA que servem de “alimento” para os músculos durante o treino evitando o catabolismo devido a intensidade do treino, lembro aqui que o estado que eu me encontrava nos treinos com ou sem jejum fez com que o meu corpo buscasse estes aminoácidos por isso o uso como prevenção do catabolismo e manutenção do músculos, diferentemente do catabolismo devido ao jejum.

Logo eu passei a usar de 4 a 5 gramas de BCAA antes e depois do treino junto com o sal rosa. Não utilizo chás pois a forma de não conter calorias seria fazendo direto das folhas e não os saquinhos, então eu só utilizo no jejum café sem açúcar, sal rosa e BCAA, mais nada para não ter problema de quebrar o jejum.

As primeiras 24 horas sem comer

Na semana seguinte, uma quarta-feira à noite, em torno de umas 22:00 horas fiz minha última refeição para entrar em “fasting” (jejum), comecei sem ter decidido se iria fazer 2 ou 3 dias, de quarta para quinta nada de novo pois já tinha feito um de 24 horas e até aí tudo bem.

Tomei café puro na parte da manhã dando aquela “estriquinada” no metabolismo, bastante água durante o dia, em alguns momentos com um pouco de sal pois ia treinar mais tarde, tomei o BCAA e fui treinar, não estava com a máxima energia e disposição mas também não estava caído, era um treino voltado mais pra força sem cardio praticamente, voltei pra casa sem fome com uma ótima concentração, tive uma excelente noite de sono, dormi bem demais.

Completando 35 horas

Dia seguinte já com mais de 35 horas tomei o café na parte da manhã, mantendo alto o consumo de água, quando foi entrando o período da tarde a sensação de energia e clareza mental incrível junto com uma sensação de como se eu tivesse tomado aqueles pré-treinos cheios de cafeína cada vez aumentava mais, foi dando então uma vontade de sair correndo de fazer alguma atividade física.

Eu não aguentava mais ficar parado, como estava em casa desci pra treinar, foi um treino de perna (Agogê) que foi de certa forma rápido, uns 30 minutos, acabei o treino umas 18:00h, achando que não tinha gasto nada de energia, coloquei a mochila nas costas e fui correndo até o SESC, em torno de 2 Km, chegando lá fui jogar basquete, joguei das 18:30 até as 21:30, não foi direto, joga 20 min, descansa 10 min, joga mais 20 min, e assim foi com muita água, sal e BCAA, estava com sensação de energia infinita, só os meus joelhos é que estavam reclamando da vida, voltei andando pra casa e de novo sem fome.

Finalizando as 59 horas

Fui pra cama em torno das 00:30 mas não estava conseguindo dormir sentindo os efeitos de como se tivesse tomado cafeína, só consegui dormir lá pelas 5 horas da manhã.

Acordei às 9:30 do sábado completando quase 60 horas de jejum e resolvi parar por aí mesmo, muito mais pelo motivo desse estado energético devido ao jejum do que pela fome em si, quebrei com um belo bulletproof na minha prensa francesa, rico em gorduras e então fiz uma crepioca com aveia e patê de atum, uma delícia diga-se de passagem.

E a prática continua!

Foi uma experiência incrível, realmente me senti ótimo, com energia e feliz, não passei fome, como resultado estou fazendo praticamente um protocolo próprio ao qual me adaptei melhor, não me alimento nem na segunda e nem na quinta-feira.

Lógico que se tem algum evento eu mudo o dia sem problemas, mas como fico o dia inteiro sem comer mesmo acabo ficando mais de 24 horas sem comer, janto normalmente no domingo e só vou comer no café da manhã de terça completando em média 30 horas, mesma coisa pra quinta, janto na quarta e depois só café da manhã de sexta, e também fazendo o de 60 horas 1 vez por mês.

Mas fica aqui o alerta, não foi por que deu certo comigo que você tenha que fazer desta forma, faça seus próprios testes de jejum e determine pra você o que melhor seu corpo se adaptou, sei que o jejum vai te trazer muito mais saúde, um grande abraço, escute seu corpo, aprenda com ele e simbora pro JEJUM…!!!

P.S.: estude sobre o jejum, faça seus exames de saúde e consulte seu médico.

E não deixe de ouvir o podcast que gravamos onde desvendamos toda a ciência por trás desta prática que virou a nova moda!

Sobre Autor

Almiro Binato

Almiro Binato, analista de rede/telecom/telefonia, pai de trigêmeos, estudioso de nutrição, amante de basquete, skate, corridas de obstáculos e treinos HIIT.