Quanto mais ocupado estiver, mais de tempo livre precisará para ficar em silêncio

Quanto mais ocupado mais tempo livre precisará

Não importa o quão ocupado você esteja, se quiser realmente acessar a sua criatividade e se tornar ainda mais produtivo, deverá sempre encontrar um tempo livre para ficar em silêncio consigo mesmo.

Nesses meus estudos e constantes pesquisas para o desenvolvimento de meu potencial criativo, assisti uma entrevista muito interessante que afirmava a importância da meditação para despertar toda a nossa criatividade.

Esta entrevista tratava de algo que eu não conseguia explicar, apenas sentir na prática, mas através dela fui armado com argumentos científicos que também confirmaram a crença que eu tinha na qual a meditação estava me ajudando a expressar-me ainda melhor através da escrita, vídeos e podcasts. Pois com ela eu estava desligando o meu diálogo e crítico interno e me colocando em um estado de fluxo criativo acessível conforme a minha necessidade.

Nesta entrevista o Jornalista Ta-Nehisi Coates afirmou que os empresários, pensadores e escritores sérios do nosso século deveriam se afastar completamente das redes sociais.

Esta não foi uma crítica contra as mídias sociais ou mesmo contra a qualidade das informações na era das notícias falsas.

Na verdade, isto foi um chamado para um lugar bem longe de todo o ruído…

Para o jornalista, gerar boas ideias e criar produtos inovadores de qualidade requer algo que é muito raro em nossa socidade moderna: o silêncio.

E ele está em boa companhia neste argumento. A Autora JK Rowling, o biografo Walter Isaacson, e o psiquiatra Carl Jung, todos eles desenvolveram práticas disciplinadas em suas rotinas para gerenciar o fluxo de informação e cultivar períodos de profundo silêncio. Ray Dalio, Bill George, o Governador da California Jerry Brown, e o Congressista de Ohio Tim Ryan também atribuiriam os estruturados períodos de silêncio através da meditação como um importante fator para o seu sucesso.

Estudos recentes estão provando que ao tirarmos um tempo de silêncio estamos restaurando o nosso sistema nervoso, ajudando a sustentar a energia mental, e dando condições para o nosso cérebro se tornar ainda mais adaptativo e responsivo aos ambientes complexos nos quais a maioria de nós vive, trabalha e lida diariamente.

O silêncio para o desenvolvimento do cérebro…

Imke Kirste da Duke Medical School recentemente descobriu que o silêncio está associado com o desenvolvimento de novas células no hippocampus, a região chave do cérebro relacionada ao aprendizado e memória. O Médico Luciano Bernardi descobriu  que apenas dois minutos de silêncio inseridos entre as músicas provou ser mais estabilizante ao sistema cardiovascular e respiratório do que as músicas categorizadas como “relaxantes”.

E em 2013 um estudo foi publicado no Jorunal of Environmental Psychology, baseado em uma pesquisa com mais de 43.000 trabalhadores, concluindo que as desvantagens do ruído e distrações associadas com escritórios abertos são maiores do que os benefícios (ainda não comprovados) relacionados ao aumento da moral e produtividade devido a interações não planejadas.

Mas cultivar o silêncio não se trata apenas de tirar uma pausa das distrações do escritório ou do ruído das redes sociais.

O real silêncio sustentado, é o único tipo de silêncio que facilita o pensamento claro e criativo, pois ele cala o seu crítico interno, bem como os críticos externos. O tipo de silêncio que encontramos apenas dentro de nós, é o que nos faz se afastar do habitual modo de pensar e os reflexos mentais que nos impedem de sermos nós mesmos. Este é o silêncio que nos faz quebrar a mais básica das responsabilidades da vida: ter que pensar no que vamos dizer.

Cultivar o silêncio, conforme Hal Gregersen escreveu em um artigo na Harvard Business Review, “aumenta as suas chances de encontrar novas ideias e informações, e, discenir os sinais de fraqueza”. Quando nós estamos constantemente fixados na agenda verbal – o que dizer da próxima vez, o que escrever em seguida, o que publicar agora – fica difícil de nos manter abertos para perspectivas totalmente diferentes, ou para as ideias completamente radicais.

Com este tipo de atitude onde estamos mais preocupados em falar realmente fica muito difícil acessar os estados profundos de escuta e atenção. E são nesses estados mais aprofundados que as grandes ideias e inovações são encontradas. Até mesmo as pesssoas mais ocupadas podem, e devem,  cultivar períodos sustentáveis de silêncio estruturado.

A seguir quatro ideias que eu pratico e indico:

  1. Pontue Reuniões com 5 Minutos de Silêncio: Se você tem condições de ir para um local mais afastado, fechar a porta do escritório ou ir para um banco de parque, é possível apertar o botão de resetar ao se engajar em uma prática silenciosa de meditação ou reflexão de apenas 5 minutos.
  2. Tire uma tarde silenciosa na natureza: Você não precisa ser um trilheiro ou corredor de aventura para desligar o telefone e gastar duas ou três horas caminhando ou contemplando a natureza. Na minha experiência própria, e na de muitas outras pessoas, a imersão na natureza pode ser a opção mas clara para aumentar as suas capacidades de pensamento criativo. Afinal, Henry David Thoreau não foi morar na floresta a toa!
  3. Entre em um Jejum de midias sociais: Desligue o seu e-mail por várias horas ou até mesmo um dia inteiro, ou tente um “jejum” completo dos noticíarios e outras formas de entreterimento como as redes sociais. Enquanto ainda existirem diversos ruídos a nossa volta – família, conversações, sons da cidade – você ainda pode aproveitar reais benefícios aos descansar as partes da sua mente associadas com as obrigações de trabalho sem fim e a costante visualização das redes socias ou noticiários.
  4. Dê um mergulho e experimente um retiro de meditação: Mesmo um retiro mais curto é sem dúvidas a maneira mais direta de se voltar para uma escuta mais profunda e despertar a intuição. O Jornalista Andrew Sullivan recentemente descreveu a sua experiência em um retiro de silêncio como “O maior de todos os detox”. Ele acrescentou: “Minha respiração diminuiu. Meu cerébro repousou… É como se a minha mente se movesse para longe do abstrato e distante, indo em direção ao tangível e próximo.”

O mundo está ficando cada vez mais barulhento. Mas o silêncio restaurador ainda é acessível – você só precisa de comprometimento e consistência para cultivá-lo.


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Sobre Autor

Gabriel Menezes

Atleta livre e amador que acredita no resgate pelo esporte, tendo a compaixão como sua religião e as atividades físicas como a sua filosofia de vida.

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