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4 Atletas Olímpicos Ensinam que Derrotas são Lições

4 atletas olímpicos que te ensinarão que mesmo na derrota podemos ser vencedores

Michael Phelps. Usain Bolt. Arthur Zanetti. Diego Hypólito. Simone Biles. Rafaela Silva. Katie Ledecky. Katinska Hosszú. Arthur Mariano.

O que esses nomes inspiram em nós? Um grande respeito, para dizer o mínimo.

À sua maneira, cada um é vencedor excepcional. Alguns imbatíveis, outros nem tanto, ainda que por aparente opção.
Para alguns o melhor resultado de suas vidas, para outros apenas mais um resultado no currículo. Alguns vivendo um dia de rei, outros vivendo apenas mais um dia do seu reinado. Alguns dando o máximo da sua condição física, outros demonstrando tamanha tranquilidade que nos deixa boquiabertos.

Medalhas de ouro, medalhas de prata, medalhas de bronze.

O ranking dos países é medido assim: o melhor tem o maior número de medalhas, principalmente de ouro.
Entre os atletas, vemos um ou outro visivelmente insatisfeito com a sua “medalhinha de bronze”, e o segundo lugar muitas vezes é visto como o primeiro dos perdedores, ao passo que em alguns casos é motivo de puro êxtase, um certo Arthur Mariano que o diga!

Então ficamos como expectadores observando todos os feitos até o momento, e ainda veremos muitos outros até o fim das Olimpíadas, admirados com a capacidade humana de realizar coisas aparentemente sobre humanas, pelo menos para nós “meros mortais”.

E nem nos damos conta dos perdedores.

Perdedores. Palavra forte. Pesada. Ninguém quer vê-la ligada ao seu nome. Então, como chamamos aos que não ganham medalhas nos jogos? É, não tem jeito, são perdedores, porque a rigor não ganharam.

Etiene Medeiros. Etenesh Diro. Caio Bonfim. Robel Kiros Habte. Alexa Moreno.

Me desculpe caro leitor, mas se tirar a Etiene Medeiros, na certa é tela azul, cara de conteúdo, ou qualquer outro termo que queira usar para aquelas situações que ouvimos algo que aparentemente deveríamos saber, mas não fazemos ideia do que seja e não queremos demonstrar a nossa ignorância.

Relaxa, estamos no mesmo barco, a pesquisa não foi tão fácil, mas, como a gente já sabe, tudo o que é fácil não tem valor e o que você vai ler agora, tem um profundo valor, especialmente para nós, atletas amadores, que lutamos, perdemos e quase ganhamos todos os dias, mas que nunca desistimos e seguimos intrépidos na nossa busca pelo nosso objetivo de sermos melhores que ontem.

Mesmo na derrota podemos ser vencedores…

Etiene Medeiros

etiene medeiros

Nadadora brasileira, Etiene Medeiros disputou a primeira semifinal dos 50 metros nado livre e bateu o recorde sul-americano com a marca de 24.45 segundos, mas terminando a prova em 3º lugar e se classificando em 7º. Lembrando que a marca anterior de 24.55 segundos também era dela.

Mas na final ela não foi “tão bem” e terminou com o tempo de 24.69 segundos. Porém mesmo que repetisse sua marca, ainda assim teria terminado em 8º lugar, atrás da australiana que cravou o tempo de 24.42 segundos. Que bela atuação! Ela fez na história 2x: Bateu o recorde sul-americano e 12 anos depois repetiu o feito de Flávia Delaroli – 25.17 segundos – nos Jogos de Atenas ao ir para a final dessa prova. Ela só é a melhor nadadora brasileira dos 50 metros nado livre de TODOS OS TEMPOS.

Etenesh Diro

E aí? Vai uma corridinha descalço? Correr descalço não dá… Pra correr eu só uso o tênis tal, paguei  quase mil reais por ele, é o melhor que existe na atualidade, senão, não tem como correr.

Etenesh Diro

Pois é, caro atleta amador, no sábado dia 13, faltavam apenas 2 voltas e meia para o fim da prova do 3000 metros, quando depois da queda de uma das competidoras, Etenesh que estava entre as primeiras colocadas e dona da quarta melhor marca do ano, perdeu a sapatilha e não conseguiu calçá-la novamente.

Bom, ela não ia continuar correndo descalça, ia? Não só ia, como foi. Recuperou posições e terminou a prova em 7º lugar com o tempo de 9m34s70. Com esse tempo não teria como se classificar para a final, mas o comitê decidiu que ela foi prejudicada e a colocou na final. Chorando muito e sob os aplausos do Engenhão, saiu andando, nem quis saber de cadeira de rodas. Essa é mais uma das provas que só o espírito olímpico nos agracia.

Caio Bonfim

Caio Bonfim

Marcha Atlética. Ah, eu sei qual é essa aí! É aquela que os caras ficam rebolando, risos. Deboches. Coisa de maricas, porque o cara não vai correr? Nããããão, fica lá rebolando. 

Marcha Atlética. Prova olímpica de 20km e 50km, entre as provas mais desgastantes, exige uma coordenação quase sobre humana entre as passadas, os braços e tronco. O atleta nunca pode perder o contato com o solo, ou seja, um dos pés sempre deve estar tocando o chão, além disso, à partir do momento que o pé da frente toca o solo a perna não pode dobrar, deve permanecer reta até que a passada se complete. Tenta aí a reboladinha.

O Caio terminou a prova de 20km sem medalha, foi o 4º colocado. Mas ele é nada mais, nada menos que o maior atleta da modalidade no nosso país.  Aos 25 anos ele é o brasileiro com a melhor colocação nessa prova em Jogos Olímpicos. Bateu o recorde brasileiro, depois de 21 anos. Também é um dos 11 melhores tempos da história de todos os jogos olímpicos que tem mais de 2000 anos.

20km em 1h19min42s  – Tem atleta que corre 10km em 1h e acha que realizou o feito dos feitos. E agora, quem é que rebola?  

Brincadeira à parte, veja como foi a trajetória dele até essa marca fantástica: “Não teve um dia de treino em que eu não saí à rua e não fui xingado e chamado de veado por fazer a marcha atlética. Diziam: ‘Volta para casa, para de rebolar, vai trabalhar…’ Eu tenho nove anos de marcha e não teve nem um dia em que não foi assim.” 

Depois dessa só me resta ir ali fazer meus 10km em 58 min e guardar segredo porque se eu disputasse uma corrida com o Caio e seu rebolado, ele estaria cansado de me esperar quando eu terminasse.

Robel Kiros Habte

Robel Kiros Habte

Você sabe o que é ser aplaudido de pé ao terminar a prova dos 100 m nado livre? O Michael Phelps sabe e conhece esse aplauso em várias piscinas pelo mundo.

Mas o Robel Kiros Habte também sabe. Mas é provável que você não faça ideia de quem seja ele. Pudera, ele participou em uma daquelas eliminatórias que a televisão não mostra, e mesmo se tivesse mostrado, é possível que não esperassem ele terminar a prova. Com o tempo de 1:04.95 seg, terminou a prova 10 segundos atrás do penúltimo colocado.

Com um corpo totalmente fora do considerado ideal para um atleta de natação e de alta performance, o Etíope saiu do parque aquático debaixo de muitos aplausos da torcida. Quem disse que uma andorinha só não faz verão?

Ele responde: “Sou o único nadador profissional da Etiópia. Somos um país de corrida – as pessoas crescem e só pensam em correr. Gosto da natação, mas o que eu queria era ser diferente”, e acrescentou: “Não foi meu [melhor] tempo hoje. Faço 59s, mas nadei 1min04. Não sei dizer por quê. Mas é uma edição de Jogos Olímpicos, é grande, e eu estou muito feliz”.

E então, quem foi que perdeu? Sem dúvida, nós perdemos ao termos uma televisão sem conteúdo e que catequiza as pessoas com valores nem sempre tão nobres quanto parecem. Quem estava lá pôde conferir em primeira mão esse exemplo de luta e superação, afinal de contas ele não é qualquer um, ele é o melhor nadador do seu país!

É caros espartanos, a derrota é fácil de ser vista, mas a vitória se disfarça de muitas formas, até de derrota.

Por isso, quando você estiver se sentindo lá embaixo, quando estiver enfrentando a sua prova mais difícil, não pense que poderia ser pior e nem se conforte com o pensamento de que deve ter alguém em uma situação mais desesperadora, lembre-se que vencer não significa ter o sucesso do ponto de vista dos outros, mas sim do seu.

Um ditado antigo diz que uma guerra é vencida após muitas batalhas e outro diz que podemos perder uma batalha, mas não necessariamente perdemos a guerra. Um revés não é o fim do mundo, não existe o fundo do poço para quem sempre olha para cima. Foque aquilo que você busca, não perca de vista o seu objetivo.

Um sábio do passado disse que quando um agricultor ia arar a terra, ele não tirava as mãos do arado para olhar para trás, não, ele olhava sempre para frente. Isso nos ensina uma importante lição, concentrarmos no que queremos sem lamentar o que perdemos é fundamental para ancorarmos a nossa mente e força de vontade nos nossos objetivos.

Sendo assim, aqui fica o nosso conselho, seja um perdedor, porque no fim das contas o que vale mesmo é a sua conquista pessoal, o seu sucesso particular, e para isso você não precisa superar os resultados dos outros, porque superação é uma palavra que devemos aplicar a nós mesmos, porque só assim seremos melhores que ontem! 

Venha espartano, seja perdedor!

Sobre Autor

Fábio Pedreira

Pai dedicado de 2 filhos com um terceiro a caminho. Atleta Livre e amador, não abre mão da alimentação saudável. Escritor nas poucas horas vagas tem a honra de publicar suas ideias nesse blog dedicado ao atleta amador.